Foto antiga, mais ta valendo!Hoje acordei super feliz! Dando bom dia ao sol lindo q vi amanhecer (rsrs), bom dia para o Deus maravilhoso q tenho, a mãe e irmão e etc. Mas sabe quando vc acorda e pensa que poderia fazer algo diferente? Algo diferente naquela sua rotina? E olha q minha rotina não tem naada q caracterize uma.
Sabe quando te dá aquela vontade de tomar café no almoço e almoçar no jantar? Comer a sobremesa antes da refeição, de pegar todas as coisas que você gosta (livro bom, música ótima, um joguinho umas roupas, escova d dente q é essencial, uma caixa de chocolate e tudo mais do q gosto) e levar para casa de um/a amigo/a e passar o dia lá, longe de celular, pessoas ou qualquer coisa q me lembre a mesma realidade?
Acordei assim,com necessidade de fugir.. não de mim mesma, mas de viver o já vivido de outra forma. Tudo igual e diferente outra vez... Fugindo e achando a beleza da vida!
Hoje acordei meio Mário de Sá Carneiro ( um dos pseudônimos de F. Pessoa) em seu poema 'Dispersão' que diz:
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
(O Domingo de ParisLembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).
O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.........
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.....
(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...
Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço
..........................................
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba.
.........................................
Mário de Sá Carneiro(1890-1916)